Tamanduá-Bandeira: o comedor de formigas.

Olá amigos. Hoje vamos falar de outro animal solitário, como o lobo-guará que falamos há algumas semanas: o tamanduá-bandeira, um dos mamíferos brasileiros mais exuberantes.

Ele possui um corpo robusto com cerca de 2 metros de comprimento e uma grande cauda com longos pelos, parecendo uma bandeira de faixas pretas e brancas. Daí vem o nome popular do animal. Cientificamente o tamanduá-bandeira pertence a espécie Myrmecophaga tridactyla. O termo Myrmecophaga significa “comedor de formiga”, pois é isso que o tamanduá come: formigas e cupins. O curioso é que o tamanduá não possui dentes e tem a face alongada como um “tubo”, onde se encontram as narinas e uma boca bem pequena. tamandua 2 Dentro da boca há uma língua enorme de até 60 cm de comprimento e com uma saliva bem viscosa para facilitar a captura dos insetos. Tamanduás localizam seu alimento pelo cheiro e podem comer até 30 mil desses insetos por dia. Normalmente comem formigas na estação chuvosa (de outubro a março) e cupins na estação seca (maio a setembro), mas isso pode variar de acordo com a região onde vivem.

Tamanduás exploram bem o ambiente. Podem nadar nos grandes rios ou escalar arvores, principalmente se estão buscando alimento. Não chegam a cavar túneis mas podem cavar pequenas depressões no solo, onde descansam, dormindo curvados e recobertos por sua grande cauda que o protege do frio, além de ajudar na segurança do animal fazendo uma camuflagem muito boa com o ambiente. Apesar de preferirem viver em áreas abertas, é importante que ao redor haja áreas florestadas pois nelas que os tamanduás preferem descansar e regular a temperatura de seu corpo.

tamandua 1Os tamanduás se acasalam o ano todo, podendo ter várias gestações ao longo do ano. Cada gestação dura cerca de 184 dias e dão à luz a apenas um filhote de cada vez. O filhote nasce com cerca de 1,5Kg e logo é carregado nas costas pela mãe, o que ajuda na sua proteção pois fica camuflado, impedindo que aves de rapina o ataquem. Desde pequeno o filhote é cuidado pela mãe. Ele só se alimenta de alimentos sólidos após os três meses de idade e esse cuidado materno se prolonga até os 10 meses de idade, quando já é capaz de se defender e se alimentar sozinho.

As populações de tamanduás-bandeira vêm progressivamente diminuindo com o passar dos anos. Se antes ocupavam boa parte do território brasileiro, hoje em dia com a destruição de seu habitat pelo homem, estão restritos a poucas áreas, principalmente no Parque Nacional das Emas em Goiás e o Parque Nacional da Serra da Canastra em Minas Gerais. Hoje a espécie é considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como rara nos locais em que habita.

Incêndios, mesmo nas áreas preservadas, são um grande problema para os tamanduás, que são muito frágeis. Em 1994 no Parque Nacional das Emas um incêndio matou 340 tamanduás. Muitos desses incêndios ocorrem devido a queimadas realizadas pelo homem ou através de balões que caem nas reservas, as vezes quilômetros de distância de onde foram lançados.  A caça predatória realizada pelo homem também é uma séria ameaça. Tamanduás são caçados por “esporte”, para “alimentação” e até para fabricação de materiais utilizados no hipismo. Estradas, que cruzam os parques nacionais, também matam vários tamanduás por atropelamento. Se não forem tomadas providencias para proteger a espécie, no futuro ela poderá estar seriamente correndo risco de extinção.

A ONG Pró-Carnívoros (www.procarnivoros.org.br) mantém um projeto de conservação do tamanduá-bandeira no Parque Nacional da Emas. Acesse o site e saiba como você pode colaborar para proteger essa e outras espécies.

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              Até a próxima!!!!!

(Imagens: Internet)

 

Foto claudio para coluna no site pronta Claudio Machado – Biólogo

 

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