Cobra-de-vidro: parece, mas não é!

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Cobra-de-vidro: parece, mas não é!

Muita gente já viu um animalzinho pequeno, sem patas e brilhante próximo a áreas de grama, a chamada cobra-de-vidro. E normalmente pela sua aparência e pelo nome popular, pensa que se trata de uma cobra. A verdade é que esse animal é um lagarto e não uma cobra, como muita gente acha. Cobra de vidro é um lagarto pertencente à família Diploglossidae e uma das espécies mais comuns é Ophiodes striatus. Ela vive na mata atlântica e cerrado brasileiros normalmente em área de grama, campos úmidos e folhiço, mas podem alcançar áreas na Argentina e Uruguai. Dependendo da região do país pode ser popularmente chamada de “licranço”, “licanço” ou “fura-mato”.

Por não terem patas visíveis, a cobra-de-vidro parece mesmo uma cobra, mas um olhar mais atento pode nos mostrar algumas diferenças que fazem com que esse animal não possa ser classificado dentro do grupo das cobras. Em primeiro lugar, não é verdade que a cobra-de-vidro não tenha patas. Realmente as patas anteriores são ausentes, mas eles possuem patas posteriores, ainda que bem atrofiadas lembrando umas pequenas aletas próximas do corpo.                               cobra de vidro 2

Você sabia que cobras não piscam? Cobras não piscam porque não possuem pálpebras, já a maioria das espécies de lagartos possui pálpebras, diferindo assim das cobras. Então se você observar um animalzinho sem patas piscando, certamente é um lagarto e não uma cobra, como é o caso da cobra-de-vidro.

Outra diferença está na audição. Enquanto cobras não escutam sons propagados pelo ar, porque não possuem ouvido externo, os lagartos escutam.  E escutam bem. Nos lagartos existem aberturas externas dos ouvidos para possibilitar sua audição. Essa é outra diferença entre cobras e lagartos.

As cobras de vidro alimentam-se de ovos, larvas e pequenos artrópodes como aranhas, grilos e gafanhotos. Quando se veem em situação de perigo, como os demais lagartos, podem romper a cauda. Essa tática é útil para distrair o predador, que ao agarrar a cauda, acaba permitindo que o lagarto fuja, evitando ser predado. A cauda irá regenerar depois, retornando ao tamanho que era antes. Esse processo é chamado de “autotomia” e é exclusivo dos lagartos.

cobra de vidro

As cobras-de-vidro são vivíparas e dão à luz a seus filhotes normalmente no verão, medindo cerca de 5 cm de comprimento.  Elas alcançam até 40 cm de comprimento e, assim como todos os lagartos brasileiros, não são venenosos. Normalmente nem são agressivos, preferindo a fuga quando se sentem ameaçados. Normalmente quando encontrados, são mortos por serem confundidos com cobras venenosas. Infelizmente a falta de conhecimento sobre nossa fauna tem levado a destruição de nossa biodiversidade, um patrimônio de nosso país e de toda a humanidade. Sim, preservar a biodiversidade é uma responsabilidade nossa!!!!

Caso queira saber mais sobre esses ou outros animais silvestres deixe sua mensagem nos comentários abaixo, pois como você já sabe “a melhor forma de preservar é conhecer”.

            Até a próxima semana !!!!

(Fotos: Internet)

       Foto claudio para coluna no site prontaClaudio Machado – Biólogo

3 Comentários

  1. Arlene diz:

    Primo ,esse blog é demais adorei
    Vou ler tudo sempre
    Juro que pensei que fosse cobra

  2. Leandro G. Cardoso diz:

    Cláudio, quando garoto tive uma cobra-de-vidro como animal de estimação (a capturei na natureza durante uma capina – o sitiante ia matá-la, então preferi levá-la para casa). Ela vivia em um pequeno terrário em forma de taça, com areia fina no fundo, algumas plantas artificiais e um pote com água. Se alimentava de tenebras que eu mesmo criava e gafanhotos que eu capturava no jardim do prédio onde morava). Era uma criaturinha linda, muito dócil e calma, e praticamente todo dia eu passava algum tempo com ela em minhas mãos ou mesmo dentro da blusa para aquecê-la, o que ela parecia apreciar (não tentava escapar mesmo que eu deixasse uma abertura). O único hábito menos agradável que ela tinha era o de cavucar o fundo do terrário tentando se enterrar ou caças as tenebras que tinham o hábito de se enterrar também. Ela viveu assim saudável e aparentemente satisfeita por uns dois ou três anos, mas morreu quando o jardineiro (que tinha horror a qualquer tipo de cobra) colocou veneno no jardim onde eu recolhia presas para ela.

  3. Emerson diz:

    Lindas fotos e materia interessante. Se o senhor puder fazer matérias sobre insetos que achamos em casa, como aquele mosquito que parece uma pequena borboletinha preta, muito comum nos banheiros e o que ele come e tipos de aranhas caseiras, valeu. 🙂

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